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Sunday, May 31st 2009

3:28 PM

Livro de Curso 1962/1963

Apesar do grande esforço devido às enormes dificuldades que se nos apresentaram, conseguimos realizar o primeiro livro de fim de curso apresentado em Angola.


Agradecemos a todos aqueles que camaradamente colaboraram, e um bem alto «CHARRUA» pela escola que amamos de todo o coração e onde ficarão gravadas a fogo, inesquecíveis recordações da nossa juventude.

A COMISSÃO
João Serôdio de Almeida
Eduardo Cesário Rodrigues
João Egipto da Fonseca

À NOSSA QUERIDA GANGA
Um grito,
um rasgar
e...
é um farrapo no ar,
farrapo de ganga,
da ganga que amamos
e em 5 anos, envergamos.

Farrapo de ganga,
que anda
de mão em mão,
entrando no coração.

Albergado em ilusão
cinco anos estiveste
e, de repente,
(como o vento Suão
que rompe...
perpendicular ao leste)
te pões na frente.

Farrapo desbotado
pelo sol, pela chuva,
és agora rasgado, espezinhado
como uma uva.

«Farrapo...
que és Tu?!
és aquilo,
com que me tapo
CESÁRIO TINTO
(Salazar)



À NOSSA QUERIDA ANGOLA
Angola
do preto, do branco
e do mulato.
Angola, da cacimba
e do regato.
Tua Mãe negra
em ti, verteu
suas lágrimas.
Tua Mãe negra
em ti, passeava
com seus panos.
Tua Mãe negra
em ti, enterrou
seus filhos,
seu ouro,
ouro da cor do bronze,
ouro escavado
do amor material
desse branco,
que apareceu à porta
da sua cubata.

Angola...
vamos agora eu,
branco, meu colega
preto e meu colega
mulato,
em ti labutar
em ti enterrar,
enterrar o que é meu,
meu que veio de ti.

Angola
do preto, do branco
e do mulato.
Angola, da cacimba
e do regato.
CESÁRIO TINTO
(Salazar)


AOS NOSSOS QUERIDOS PAIS

Pais:
cá estamos nós
(Silêncio)
pensando em vós.

O pensamento
é só um,
e quer dizer uma
verdade.
« A separação.»
Nova idade
nova obrigação.
Vamos criar,
talvez profanar
vossos ideais,
(correndo num plano oposto
ao que vós gostais)
Vamos erguidos,
enfrentar
o que não conhecemos.
Vamos destemidos,
julgar
como nascemos.

Pais:
cá estamos nós
(silêncio)
pensando em vós.
O pensamento
é só um,
e quer dizer uma
verdade.
«A separação.»
Nova idade,
nova obrigação.
CESÁRIO TINTO
(Salazar)

ÀS NOSSAS NOIVAS

Finalmente,
aqui nos tendes presentes.
Formados,
mas p'lo vinho acabados

Que nos quereis confessar?!
Qu'em breve iremos casar!?

Sim...
se lesse o teu pensamento
talvez lesse:
(pressa num casamento)

Mas eu não leio
e fingirei não ler,
e deixarei no meio
o que pensas fazer.
Vamos sonhar mais,
brincar, gritar ais,
retardar o fel,
fazer só lua de mel.
Vamos...
mesmo sabendo,
qu'o que sonhamos
vai-se esmorecendo.
CESÁRIO TINTO
(Salazar)


Aos nossos colegas que heroicamente pereceram no "Norte"



Ao nosso antigo director
Dr. Fernando Dias Pablo
 
 

Eu sou lembrador, de alguém
com cara de ditador,
que quando a colina
subia,
toda a gente tremia.

Eu sou sou lembrador
de alguém
que quando partiu,
toda a Escola sentiu.

Eu sou lembrador
(mas já já não quero lembrar
e nem jamais«hablo»)
pois que talvez
qu' o Dr. Pablo,
já não torne a voltar.
 
 
 
AOS NOSSOS PROFESSORES

Chegamos...
chegámos à meta
dos 5 anos barreiras.
Caminho em recta,
julgávamos ás primeiras
mas , o tempo decorreu
e períodos vieram
escuros como o breu.

Escada que abre
na escuridão,
escada sem corrimão,
mas que só tarde,
muito tarde, no chão,
indirectamente traduz
a verdadeira luz.

Vós sois professores
a escada sem corrimão.
Vós sois os ditadores
de leis sem compreensão.

Vossas leis ditam um ideal
e, afinal
andam perdidas, cheias de ais,
sentenciando quem não gostais.

Mas chega a despedida
e, esqueçamos,
a ex. a outrora vida
que levamos.

E, como imberbe criança
que desperta de maus sonhos,
deixemos em vaga lembrança,
tempos maus, tempos risonhos.

E partamos
para outros mundos
talvez mais imundos
mas vamos...
deixando agradecimentos
aos nossos professores,
agradecimentos tradutores,
tradutores de esquecimentos.

a criança já esqueceu,
o seu sonho mau.
Novamente adormeceu.
Sonha agora, com seu
carrinho de pau,
nos braços do «Morfeu».

Nós somos a criança,
que já esqueceu a vingança,
mas que repetimos
o que sinceramente pedimos.

Professores...
ditai crentes,
mas pensando nas dores
dos nossos futuros »Regentes»
CESÁRIO TINTO
(Salazar)













 

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