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Wednesday, June 3rd 2009

8:32 AM

Eduardo Cesário Rodrigues

Mãe,

Vou terminar
o que sempre ansiaste
o que sempre ditaste.
Ansiaste no fundo,
para Deus ao te levar
deste cenário mundo,
siga contigo,
a esperança de teres
teu fiho, ao abrigo
de «estranhos seres».
Mãe,
como deves lembrar
teu filho a andar
p'las escolas, como pária
de vida insedentária,
nómada
não perdido,
incompreendido.

Concessão diferente de vida.
Mas a vida não tem rumo;
barco perdido no fundo,
que segue a onda perdida.
Barco sem rumo certo,
na imensidão do mar aberto.

Mãe...
Recordar o passado,
é parar no presente,
atrasar o futuro.
Deixa-me seguir,
seguir em frente,
no meu plano falhado
no meu longo muro.
Deixa-me ir,
como tenho vindo.
Deixa-me sorrir,
pois estou sempre sorrindo.

Pai:
Teu corpo
outrora morto
já não é o corpo.
Pai:
Teu corpo
outrora temido
já está lambido.
Já foi pasto
dos necrófagos
(do cemitério velho)
Pai:
Eu vejo teu corpo
na cruz polida
da tua urna.
Vejo teu corpo...
mas não vejo;
Tu já não tens corpo.
O corpo que eu vejo
é, afinal, o meu,
O meu corpo.


Aos meus padrinhos,
por quem nutro grande consideração e estima...
...da minha viagem...
Pintor, vi eu um dia,
num mundo tenebroso
repassado dum rufia.

Era esquelético tuberculoso
e, no buraco cavernoso,
da imunda garganta,
um escarro amarelento
sempre rugia.
Rugia arrastador, lento,
saído em catapulta p'la língua
velha e purpurosa manta
protegida pela massa zíncua,
repugnante, qu'eram os seus dentes.

Mas sua dextra continua
e, num arabesco conjunto,
«Talvez que mulher nua»,
num amontoado cubismo,
mostra insensibilidade crua
precipitando-se no abismo...
...enquanto seu homem
chora,
chora o seu defunto.

Pintor estava...
com outros da sua arte
num campo perdido...
...do Montmartre.


Afinal, estás finalista.
Tu, que foste um borgista,
deverias ter prémio,
por seres o maior boémio;
ou merecias os louros
dum bom pegador de touros
e diploma em pergaminho,
dum bom bebedor de vinho,
da nossa Pátria vinícola,
vais ser um Regente Agrícola.

Passaste por Santarém,
Évora e Coimbra também.
Aluno d' escolas várias,
superiores e secundárias,
foste sempre tão prudente,
que passavas p'la tangente.
Mas enfim foste passando
e lá te ias raspando
à dentada da raposa.
Meu amigo, agora, goza
nesse teu canto angolano
e lembra-te, queeu, teu mano,
estou contigo, vampiro.
E, em pensamento sugiro
que, estaca de boa gente,
sejas um grande Regente
e a nada mais te obrigues
caro Cesário Rodrigues.

Teu mano muito amigo «ARNAUD» Santarém


Irmão...
recordar o passado
É rebuscar folhas no Outono
e fazê-las renascer, folhas mortas...
É reviver metamorfoses da Vida...
É levantar a poeira do tempo
e deixar correr o pensamento
É erguer cada folha caída.

Irmão, tu recorda...
Alguém de andar gingão
Que virava rufião
Se a mostarda vinha à tona
Alguém (qualquer sabia)
Que 5 litros bebia
Com um caroço de azeitona.

Irmão, tu recorda...
Dois manos com uma Vespa
(É preciso ser grande «besta»)
Se lembraram ir viajar.
Com meia dúzia de tostões
A «burra» sem travões
Às «frauleins» foram parar.

Irmão, tu recorda...
Aquela noite em Paris
Depois de Moulins e Folies
Cinco vezes engavetados...
E os teddy-boys valentões
Quando levaram os bofetões
Como corriam coitados...

Irmão, tu recorda...
As belas noites no Reno
De luar calmo e sereno
Com as ninfas ao lado
Que belos pitéus de amor
Ainda recordo o sabor
Do limão com...linguado...

Irmão, tu recorda sempre...
Nos momentos difíceis da vida,
Com lágrimas por vezes tecida
Não te deixes sossobrar
Conta com o teu irmão amigo
Que estará sempre contigo
Nas curvas difíceis de dar.

Teu irmão muito amigo FERNANDO MÁRIO


A ti grande Regente
Manito Salazar,
ofereço-te este versos
Minha arte de cantar.

Os tempos idos assinalaram
Que alguém,
O inesquecível Salazar
Passou em Coimbra, Mitra e Santarém.

Coimbra, Bencanta, S. Martinho
Berço da nossa amizade,
Deixaste bem de perto nossas farras
gravaste-as em corações p'ra eternidade.

Na República do Pedro Cunha
Ponto de reunião
Às tantas da manhã
Partia o plano de acção.

Aviário de primeira,
Casa de fados
E churrascos bestiais,
De frangos abafados.

Pedro Cunha à frente,
Palmirinha a cozinheira,
Velhota no rock-and-roll
E nos na bebedeira.

Nos assaltos éramos fortes
Nas adegas umas pipas
Nas porradas sempre unidos
Nas penosas os terroristas.

P'la Queima das Fitas
Armamo-nos em carregadores
Para irmos à Figueira
Pegar como amadores.

Com martelo e empurrões
Tínhamos quase a porta aberta,
Mas tivémos que fugir,
por um cuco estar aberta.

A descoberta de um postigo
Foi grande satisfação,
Mas por dar à cavalariça
Foi maior a admiração.

As tuas pegas de cara
Marcaram posição,
Os novilhos eram grandes
Ajoelharam no chão.

De regresso para Coimbra
Foi grande o sarilho,
Faltava-nos um bilhete
Fomos p'ra o tejadilho.

Nem me quero lembrar
Do que aconteceu,
Bateste na barra da ponte
Toda ela estremeceu.

Hospital em revolução
Batota e bebedeiras.
Até mesmo caça aos pombos,
E também às enfermeiras.

O teu braço em gesso
É uma recordação,
Trazia mulheres e autógrafos
Causou grande sensação.

Tornaste-o a partir
Situação embaraçosa,
Mesmo atrás da igreja
Quando íamos à penosa.

Cinquenta contra seis
Foi talvez a desproporção,
Aqueles cobardes...
da Pampilhosa do Botão.

Os jornais encheram-se
Aldrabaram cem por cento,
Qu'empurramos uma velha
Tal foi o descaramento.

Para os versos acabar
Volto aos velhos amigos.
Recordar a velha Escola
Aqueles tempos mui queridos.

Oh! Malta do Pedro Cunha
Vamos nós testemunhar
Que o nosso maior amigo
É o mano Salazar.

Mano, mano do coração,
Paz, tranquilidade,
Uma só vida, uma só alma
E um caminho repleto de f'licidade.
Do teu manito muito amigo
JOÂO MAIA (Coimbra e Évora)


Vai longe a hora bendita
Em que pela primeira vez te vi.
Jamais, por mim será esquecida,
Tão grande e bela euforia.

Sim! Tu meu amigo,
Que sempre me acompanhaste
Ao partires deixaste comigo
Uma eterna saudade.

Quem é:
Que gosta de galinhas
Bem gordinhas?
Que para as acompanhar
Uns litros tem de virar?
Que na ponte bateu
E no hospital apareceu?
Que os limões levava
Quando o guarda não estava?
Que na Pampilhosa enfureceu
E em todos bateu?
É um camaradão
A quem chamo «irmão»

Comos votos de eterna felicidade do teu mano muito amigo
CÉSAR REIS (Puto) (Santarém e Coimbra)


Alô SALAZAR
Aqui COIMBRA, a Lusa Atenas.
Desta cidade tão bela,
Alguém te quer falar.
Não de penas,
Muito menos de tristeza.
Este alguém só quer lembrar,
Ao seu mano Salazar,
Que ainda existe o REPREZAS.


Querido amigo, por uma unha
Que a casa do PEDRO CUNHA,
Aquela que tu conheceste,
Choraria eternamente
De saudade compungente
De quando tu cá estiveste.
Mas em recompensa modesta,
Fui-lhe dando um ar de festa
Com uma ou uotra Galinha
Que cacarejam unidas
Em homenagens sentidas
Às fêveras da Palimirinha.
E cá fora um reboliço.
Pois eis que um enorme chouriço
Pendurado a um garrafão
Se junta às lavadeiras
Que nos bailes de sopeiras
Fazem grande vozeirão.
Vem também uma CARRIPANA
Que comer uma BIFANA
Se mostra muito orgulhosa
Ao ver que vai transportando
Com uma VIOLA cantando,
O «terror da PAMPILHOSA».
E que chega o comboio presunçoso
Que nos levou vagaroso
P'ra FIGUEIRA, à GARRAIADA,
Traz pendurado um letreiro
Que diz todo prazenteiro
Mas que grande CABEÇADA!
Não é só recordação
Que nesta Reunião
Te quer prestar homenagens.
Está cá também uma Madre
De braço dado a um PADRE
A que roubaste umas VAGENS.
Adeus Salazar
Também nos te festejamos
E com verdade desejamos
muita massa, muita massa,
Felicidades sem par.

Do teu mano muito amigo
REPREZAS (Coimbra - Santarém - Coimbra)


Salazar, amigo de sempre
Que tens de humano o gesto e o peito.
Com um garrafão à frente
E ei-lo muito, muito satisfeito.

Desgraçados daqueles ferroviários
«Quem em defensores se armaram.»
Levaram tantas, tantas, tantas
Que até sem dentuças ficaram.

Após esta «coboiada».
Fugiu p'ro Tchivinguir (o)
Descansai galinhas e coelhada
Que ele já não torna a vir.

Felicidades sem par do grande amigo
PAIS FERNANDES (Mangualde - Coimbra)


Este nosso biografado,
Tem ar de ser Sr. Visconde
Mas já lhe têm perguntado:
O senhor é o King-Kong?

Camarada cem por cento
Sempre pronto para beber
Se algum dia lhe falta o álcool
Estou certo, vai morrer.

Flausina queres casar?
O «Camelo» é solteiro
Portanto, pede ao papá
Que dê pópó e dinheiro.


Foge a malta sem parar
Foge tudo em debandada
Vem aí o SALAZAR
É o terror da estrada!!!

Com o seu jeep a rodar
Aí vem o meliante,
Se o veiculo andasse a ar
Nunca largava o volante.

Um abraço amigo em ré-menor do teu amigo assassino da poesia
JAIME (Mangualde e Luanda)


De nascimento alcunhado
Como o grande Salazar
Trata-me só por cunhado
E para ele vou versar.

Chegado a Santarém
Conheceu o ARNAUD
Começou o vaivém
E na Mineira entrou.

Levou esta vida dois anos
Até ficar bem bebido
Mas foi logo p'los «ruanos»
Para Évora transferido

Pouco tempo ali ficou
Por não haver bom vinho
E para Coimbra desertou
«O terror de S. Martinho».

Aficionado das touradas,
No comboio embarcou:
Na ponte deu cabeçadas
E por pouco não ficou.

Ao Tchivinguiro chegou
Sem provocar desaires
Em Luanda as férias passou
Partindo........

Chegou a hora da despedida
Nesta altura tão apraz.
Tem muitas felicidade na vida
São os votos do Paulo Vaz.

Do cunhado muito amigo
P.VAZ (Santarém e Tchivinguiro)


O amigo Salazar,
nesta Escola ingressou,
Para sair um regente
Tal qual como entrou.

Com os eu romântico ar
O terror da bicharada,
É fácil de se chatear
Desatando logo à chapada.

Em Luanda certa vez,
O amigo Salazar,
Foi parar ao xadrez,
Por um polícia «chapar»

Agora para terminar,
Vou desejar a este ser,
Felicidades sem par,
saúde para dar e vender.

Abraça-te o amigo SANTOLA (S. Santos)
(Évora e Tchivinguiro)


Santarém, Évora e Coimbra
Todas elas te conheceram,
Por fim no Tchivinguiro
Parcos abraços te deram.

É alegre como os que são
De cantar não tens nada
Mas quando pertinho do garrafão
Dá um jeito à desgarrada.


Persistência é um preceito
Que tu sempre tiveste
Porém, a preguiça um defeito
Que já tinhas quando nasceste.


Ao despedires-te do curso
Eu te desejo bons sucessos
Que nunca faças figura d'urso
É tudo o que eu te peço.

Teu amigo CEBOLA


De ilusões vive este amigo
Que até ao México vai pegar
Pobrezinho ainda não viu
Que anda sempre a sonhar.

É amigo do garrafão e dos vinhos mais afamados
É para as mulheres engatatão
Pega toiros a assassina fados.

Do teu amigo e colega CARLOS POMBARES


Salazar:
Regente vais sair
Custou...Mas foi com o peito,
Escorrendo suor do rosto
Aguentando sem cair.
Agora segue direito
Desbravando no teu posto.

Com um grande abraço do amigo e colega
REBOCHO


Já conhecem o Dadinho?
Vamo-lo apresentar:
é tão grande «santinho»...
...De no altar colocar.

Na cadeia?
«Que azar»
E o vinho?
Arre!!! nem pensar.

Um abraço AIFLAS e PRÓS-COPOS


No céu da minha infância
De tristezas ensombrado
O perfil do futuro tão incerto
Num esgar de dor se deenhou
pairou~E logo se esfumou
Para surgir outra vez.
Esperança há tanto desfeita
Envolve-me na tua doçura vã
Enganadora
tão subtíl
O meu riso
infantil
Nascia o meu ser
p'ra logo desaparecer
E tu, miragem da felicidade,
Deslizas
Esfumas-te
E para sempre
me dizes adeus.
Ana Maria
Para ti,
de mim.

Teu pensamento Mãe:
Tens tu dizes...
Uma só oração
Mas eu tenho várias orações
Para combater tua ilusões.










 
1 Comentários.

Posted by No Name:

É Malta este é que é o "célebre" SALAZAR ... esse mesmo: o da PORRADA... Aquele que ao abrir a porta do carro ficou com ela na mão e foi com ela nas ditas e foi "malhar" o taxista (Lisboa) que lhe tinha chamado FP...
Friday, June 26th 2009 @ 12:40 PM

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