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Tuesday, June 9th 2009

7:38 AM

José Manuel Soares de Azevedo

 

O Azevedo coitado
já se está a desfazer
em breve vejo-lhe o fim.
Tanto vinho tem tragado
que anda sempre a ferver
e parece um botequim.

Tenham cuidado garotas
com o cigano, que é borracho.
Não quer nem nem duas, são poucas
ele gota de ter um cacho.

Eu que ainda cá fico
vou ver os perus do «Melão»
andarem mais descansados
por já não serem levados
p'ra serem acompanhados
por tragos de garrafão.

Do amigo MICKEY


Há 5 anos que cá chegou
este tipo da Mapunda
e parece que gostou
pois tem o curso na cacunda.

Não é nada gabarola
nem gosta de futebol
seu sonho é a viola
e de vez em quando o briol.

Não te zangues comigo
pois é tudo a brincar
adeus, grande amigo
que consigas triunfar.

Um  abraço do amigo CHAVES


Com saudades vais lembrar
o tempo q'aqui passastes
as galinhas que roubastes,
p'ra depois acompanhar
com tragos de bom pimpão
a rebita, e a batucada,
onde tu, o Manso e o Ruanão
tramavam sempre pancada.
Com saudades vais lembrar.

Do amigo ELIEZER «Esgóia»


De «cigano » alcunhado
o amigo Azevedo
mas quando  «entintolado»
tudo dele foge com medo.

Sr. Regente, dói-me um dente
quero-o ir arrancar
dizia este doente
só para ao Lubango ir gozar.

Com «cábulas» terminou
o curso de Regente
mas também frequentou
o ambiente da nascente.

O Torrinha que cá fica
quer-te dizer com dor
pois abalas mas te dedica
Saúde, dinheiro e amor.

Do amigo TORRINHA


Gota imenso de música
toca piano, acordeon e viola.
Em breve deixaremos de ouvir
Pois vai deixar nossa escola !

Muitos dias nos cansámos de ouvir
A sua música de «fora-fora»
Mas sempre que podíamos
«-Azevedo toca aquela agora!»

Muito amigo do tintol
Porque frequente era vê-lo «tintolado»
Sempre que apanha uma aberta
Lá está ele embriagado.

O garrafão é companheiro inseparável
Debaixo do braço é o seu lugar
Aquele andava sempre cheio
Para valentes pielas apanhar.

Noutros tempos era dos fracos
Um dia agarrou-se aos halteres
Tanto, tanto forçou e puxou
Que agora «-Vê lá se queres»...


Ele e o manso muito fanaram
Nos cabritos e leitões eram artistas
Para o Caholo se encaminhavam
Vinho, música: assim eram os farristas !

Para aumentar a colecção
Nosso amigo Pombares aparece
Formam um trio barulhento
Prontos p'ra pancada quando tudo aquece.

Apaixonado não sei se está
Com miúdas vejo-o sempre andar
Anda com esta e com aquela
Mas duvido que ao altar vá parar

Defeitos ? sim. tem alguns
Pois ninguém é anjo da guarda.
Mas uma coisa é carta
Azevedo foi sempre camarada.

Para tempo não mais gastar
Vou agora mesmo terminar
Desejo-te muitas felicidades
P'ra nova vida que vais encetar !

Do amigo BORGES DA CUNHA



Ele...
Será poeta ou pintor ?
Será músico ou cantor ?
Será bêbado ?
Sim, concerteza !
É !
E terá sempre a moleza,
De um bêbado guitarrista,
Que nesta vida de cão
É um rafeiro bairrista
É uma interrogação...
Eu próprio a pus.
Digam-me porque razão
O terão dado à luz ?
Que ninguém me negue
Que por onde ele segue
É bom o caminho
O do Caholo ou o do vinho
O do galinheiro ou o do porquinho...
Mas...Isto é chamar-lhe ladrão.
Uma ofensa p'ra honrado cidadão ! ?...
Estará ofendido ?
Hum... Muito duvido,
Para ele é a alegria
Falar em copofonia !
Larápios...

GALHANAS


Vomitando o azedo
Vem do Caholo o Azevedo.
E gritava como louco:
«O vinho é pouco»

«O vinho é pouco»,
dizia já muito rouco.
Mais ! Mandou ele vir
e. ao levantar teve de cair.

Mas vieram as desgarradas
com fortes guitarradas.
Na volta é que é o dever;
Vêem todos a torcer.

Mas ! a estrada é larga
e, com ou sem carga,
vem tudo de gincana
com tremenda carraspana.

O teu grande amigo e colega  SALAZAR


É cruel, leva leva quase ao desespero
Pensar que quando miúdo, se ambiciona tanta coisa
E que tudo foge, qual enguia
Fugindo às mãos do seu captor.
Porque foge assim a felicidade ?
Falta de talento ?
Mas quantos talentos acabam infelizes ? ! !
O meio ambiente influencia os seres.
São eles que se adaptam ao meio,
Nunca é o meio que se lhes amolda.
Não será esta inexorável lei da natureza,
Que faz tantas vezes fracassar o talentoso
E dá a imerecida vitória àqueles em que o talento está ausente ? ! !

É ? ! !
Então, os que o sabem,
Porque não procuram o ambiente que lhes convém ?
Porque não cortam as grilhetas que os impedem de triunfar ?
Estupidez ! ! ! Há que confessa-lo.
Estão presos à família, à terra, aos amigos
E desdenham das possibilidades que têm.
Acabam sempre na obscuridade.
Deles, dizem os amigos:
Tinha muito jeito, poderia ter sido um grande pintor,
Escrevia muito, poderia ter feito carreira na literatura.
Enfim ! Podia ter sido um grande pintor, grande poeta,
Mas, o que acontece, o que é triste, o que é verdade,
É que não foi absolutamente nada.

Tenho um amigo, um tal José Manuel Soares de Azevedo,
Que quer ser agricultor,
Confesso, não sei bem porquê,
Nunca o imaginei a criar toiros
Nem a tratar de uma vinha.
Posso quando muito imagina-lo a pegar toiros
Ou a beber vinho que alguém fabricou.
Posso imagina-lo em Paris,
Com a barba crescida e a roupa cossada,
Nas margens do Sena,~Tentando vender quadros que pintou
Na mansarda em que vive
E  de que já há seis meses não paga a renda.
É aqui que ele passa horas a sonhar,
Horas em que idealiza os poemas que escreve.
Pelo chão vêem-se espalhadas as tintas, as telas, as garrafas já vazias
E a um canto a velha viola que de vez em quando dedilha
Talvez a pensar nas miúdas que tem em Sá da Bandeira,
Terra que não esquece,
Como bom «Chicoronho» e angolano que é.
Frequenta os cafés e as tabernas dos verdadeiros artistas,
Daqueles que como ele  ambicionam a vir a sê-lo
E também dos pseudo-artistas que sempre existem.
Mais tarde, um dia, pego num jornal,
E por casualidade, leio com alegria,
Que com a sua obra «A poesia dos copos vazios»
Consagrou poeta o meu amigo.
Passa o tempo, vou a Paris,
Cruzo-me com ele numa rua,
Mal me reconhece !
Sou uma pessoa vulgar.

Um grande abraço
JOÃO JOSÉ VALÉRIO ALHO










 

 

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